As linhas tortas de meu corpo retorcido
Fazem as voltas de um sujeito atormentado.
E nessas voltas que meu corpo tem vivido
A vida se desmancha para todo lado.
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Sinto que, volta e meia, tenho me perdido
Sempre que tento encontrar o meu espaço.
Não é que eu tenha me esquecido
Como é andar para outro lado.
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Mas, se eu tento me afastar desse caminho,
A vida vem e me coloca em xeque contra o meu domínio.
Não porque eu seja incapaz ou insensato,
Mas porque a vida não me deixa escolher o outro lado.
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Deveras ando como anda um ermitão,
Fazendo as voltas ao redor do coração.
Não há sinais que me guiem a algum lugar,
Nem placa alguma que me mostre onde estar.
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As voltas que meu corpo faz dentro de mim,
São as voltas que o mundo dá ao redor de mim.
Essas voltas que meu corpo traça e anda me distorcem
E fazem que eu questione toda a minha sorte.
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Então, assim eu vou seguindo o meu destino
Sem saber em que caminho estou partindo.
Ando sem ver o que se passa além de mim.
Observando o quão mais próximo está o fim.
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