Poesia | Voltas

Um poema sobre as voltas que a vida dá, inspirado quase completamente nas próprias curvas que a escoliose impôs a mim.

As linhas tortas de meu corpo retorcido

Fazem as voltas de um sujeito atormentado.

E nessas voltas que meu corpo tem vivido

A vida se desmancha para todo lado.

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Mini Conto | A Queda

Se anjos não possuem livre-arbítrio, o que explica a queda do Primeiro Anjo?
Resolvi imaginar como teria sido e o resultado é este texto.

Não havia nuvens no céu quando ele pensou o que pensou. Até então, sua vida seguia como seguia todos os dias até ali; reverência após reverência ao Santo dos Santos e assim por toda a eternidade, era o que ele pensava. Mas, naquele dia sem data, sem hora e sem local marcado, um pensamento pairou em sua mente, até então, incólume de pensamentos estranhos: por que? Perguntara-se ele. Não havia uma resposta, pelo menos não àquela altura. Mas, dia após dia, essa pergunta martelava-lhe a mente cada vez mais e cada vez mais ele se sentia intrigado sobre o porquê de fazer o que fazia todos os dias ad infinitum.

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Poesia | Elementos

Um poema alegórico sobre os elementos da natureza e sua relação com a minha vida.

Hoje o sol brilha com força, iluminando todas as coisas do mundo.

Mas não sinto seu calor e sua luz, para mim, parece não iluminar todos os cantos.

Os pássaros não cantam ao meu redor

E ao redor de mim tudo parece pálido e sem vida.

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Uma reflexão sobre verdade e mentira na fábula do menino e o lobo

“Verdade e mentira são lados de uma mesma moeda; ainda que distintas, ambas dizem respeito à mesma coisa, dizem respeito ao mesmo objeto de estudo a partir do qual se elabora uma informação.”

Existe uma fábula que retrata a história de um menino pastor de ovelhas que, entediado pelo seu trabalho, resolve fazer uma brincadeira para atrair a atenção de seus conterrâneos na aldeia onde vive. Durante o pastoreio de suas ovelhas, ele grita, desesperado: Lobo! Lobo! Seus companheiros, vendo sua aflição, correm para socorrê-lo e salvar as ovelhas do tal lobo. Ao chegarem ao local onde está o menino e constatarem que tudo não se passava de uma história inventada para atrair a atenção dos aldeões, eles, descontentes, deixam o garoto sozinho. O menino repetiu a brincadeira várias vezes ao longo dos dias e, a cada vez, os aldeões iam socorrê-lo, mas davam de cara com a mentira. Certa vez, porém, um lobo de verdade apareceu na região e o menino, agora realmente desesperado, correu a pedir ajuda, gritando a plenos pulmões “Lobo! Lobo!” Os aldeões, porém, já acostumados com as brincadeiras do menino, não deram atenção ao chamado, mesmo que o garoto gritasse com mais desespero do que nunca. O que acontece é que o lobo, faminto, devora, uma a uma, suas ovelhas, destroçando-as sem que ninguém o impedisse. O menino, entristecido, retorna à aldeia e, queixoso, reclama com o homem mais velho e sábio do local. O velho então olha para ele e diz “na boca do mentiroso, o certo é duvidoso”.

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Sobre a natureza da língua e sua relação com a realidade

Na metáfora do ovo e da galinha, a língua é, ao mesmo tempo, o ovo e a galinha; ela é resultado das experiências que vivemos ao mesmo tempo em que é, ela própria, a experiência.

O que veio primeiro? A língua ou a realidade? A história da humanidade passou a ser contada e conhecida com os primeiros registros litográficos dos “homens da caverna” há milhares de anos. Desde então, a linguagem evoluiu, se desenvolveu e, dela, nasceram as línguas modernas como as conhecemos hoje. Nesse meio tempo, a história das civilizações passou por inúmeras transformações e essas transformações ficaram expressas na língua de cada povo onde elas ocorreram. A língua sempre esteve lá para dar forma e cor a essas mudanças, para servir de registro histórico da passagem do homem aqui neste plano, para ser também a força motriz dessas mudanças, sendo a ferramenta para fechar acordos ao mesmo tempo em que servia para nutrir dissidências. Continue Lendo “Sobre a natureza da língua e sua relação com a realidade”

A volatilidade do pensamento descartiano

(…) tudo é volátil e relativo a partir do momento em que não existe, na verdade, consenso algum para se afirmar que algo é algo. (…) Eu existo, sim. Mas, e depois?

Ao pensar na celébre frase de René Descartes, “penso, logo existo”, veio-me à mente o seguinte questionamento sobre nossa existência: se penso, logo existo, então o que existe é o pensamento e não o próprio ser pensante, aquele que pensa o pensamento. O pensamento estaria, portanto, num nível de existência em que nós, criaturas pensantes, não estaríamos. Nós habitaríamos o reino do imaginável, do “pensável”.

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A palavra que escreve o autor

O autor escreve o texto, mas é o texto quem escreve o autor.

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Imagem da internet. Disponível em Google Images.

Quando se pensa em literatura e em todo o universo de produção literária, geralmente se vê o escritor como o agente da ação de escrever. É ele que dá a forma à palavra, sentido inicial à sua história. E, por certo ângulo, é isso mesmo. O autor é criador de seu próprio universo e, por que não, de sua própria realidade. Mas, não só isso. Ele é, também e na via contrária, criação de sua criação, reflexo de sua própria obra, fruto da semente plantada por ele mesmo. Continue Lendo “A palavra que escreve o autor”

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