Escoliótico | Uma reflexão seis anos depois

Como encarar a vida carregando em seu corpo um problema de saúde que te limita não só fisicamente, mas também, emocionalmente e socialmente?

Há alguns dias venho pensando no que escrever aqui no blog. Já faz três meses e quatro dias que não escrevo aqui, o que não é novidade, mas também demonstra um certo desinsteresse em escrever algo. Todavia, a verdade é que há muito eu tenho passado por um bloqueio criativo que tem me afetado completamente e isso tem sido um transtorno constante porque, afinal, eu gosto de escrever, gosto do meu blog e gosto de ser lido. Enfrentar um bloqueio criativo é como enfrentar sua própria mente que, neste caso, instalou uma porta em sua entrada e a trancou impedindo o acesso de qualquer um a ela, inclusive você, o dono dela.

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Deus: uma incógnita

“É difícil encontrar deus quando o mal prevalece sobre todas as coisas. (…) Mas, eu queria, do fundo do meu coração, que deus estivesse aqui, que ele colocasse sua mão sobre meu ombro e me consolasse nem que fosse por alguns segundos.”

Eu cresci em família cristã. Por muitos anos, a vida na igreja foi uma parte constante e alegre em minha história e isso não é e nunca foi demérito algum. A vida na igreja me trouxe muitas experiências felizes e satisfatórias, amigos que tenho como irmãos e, mais do que isso, serviu de base para minha concepção de vida e filosofia. Eu não seria o mesmo sem essa parte importante em minha história.

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Quando me tiraram do armário

Na verdade, naquele momento, tudo o que eu queria era não ser gay, ser “normal”, o menino heterozinho que vai trazer uma norinha pra mamãe, ter um filho, um casamento na igreja e todo aquele bla-bla-bla cristão.

Em novembro de 2016, escrevi um texto aqui no Epitáfios a Parte refletindo sobre a realidade que muitos gays vivenciam ao passar pela experiência de sair do armário. Para quem não sabe, a expressão “sair do armário” é muito popular na comunidade lgbt+ e significa, em poucos termos, o ato de se assumir lgbt+ numa sociedade essencialmente heteronormativa e o choque geralmente resultante desse confronto. No texto em questão, eu fazia um convite à comunidade gay a se por no lugar de muitos que se assumem lgbt+ e a oferecer suporte a essas pessoas para que elas não passem pelos vários cenários negativos que podem surgir diante dessa revelação. Em parte, esse texto foi inspirado em minha própria história de vida, em minha experiência traumática e não voluntária de me assumir gay. Como nunca falei sobre isso antes, resolvi aceitar a sugestão de um grande amigo e fazer um pequeno “exposed” desse momento peculiar de minha vida.

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Tudo novo de novo

“A mudança é uma constante da vida, faz parte de nossa evolução, das transformações que nos tornam quem somos. Mudar é resultado de viver e, por isso, não mudar é simplesmente não viver.”

A vida muda, esse é um fato tão concreto como o fato de que todos nós morreremos em algum momento. A mudança é uma constante da vida, faz parte de nossa evolução, das transformações que nos tornam quem somos. Mudar é resultado de viver e, por isso, não mudar é simplesmente não viver.

Mas, mudar é difícil, muito difícil. Exige paciência e um esforço ímpar para lidar com os imprevistos dos quais a mudança vem acompanhada. Lidar com o novo, com uma realidade totalmente diversa daquela com a qual estávamos acostumados, sair da zona de conforto sem a certeza de que voltará a ela, tudo isso pode mexer com o nosso emocional e nos desestabilizar a tal ponto que a simples menção à mudança gera em nós um ataque de pânico.

Em fevereiro deste ano, tive uma sequência de crises de pânico que me levaram a tirar licença médica do meu trabalho por três longos meses. Foi um momento difícil e, ainda hoje, carrego o peso de toda a turbulência pela qual passei nessa ocasião. Mas, a questão era que, naquele momento, eu passava por um conjunto de situações que tinha em comum o fato de que as coisas iriam mudar para mim. Eram mudanças grandes na saúde, em minha vida profissional, pessoal e acadêmica. Até então, sempre me considerei uma pessoa de personalidade firme e forte diante dos imprevistos da vida. Todavia, naquele momento, a única visão que tive de mim era a de que, no fundo, bem lá no fundo, eu ainda era uma criança frágil e indefesa tentando lidar com o mundo que se abria diante de mim.

A mudança nem sempre vem por vias fáceis e, quase sempre, ocorre sem o nosso controle. Durante minhas crises de pânico, o único pensamento que tinha era que eu precisava me esconder, me proteger do que quer que fosse que estivesse me afligindo. Não que houvesse um mal real de fato, mas durante as crises, sua mente se prende a um pensamento constante de que algo ruim está acontecendo, você entra num loop de desespero e opressão, o coração dispara, um suor frio corre pelas costas, a adrenalina pulsa em seu sangue e você só quer correr, fugir e gritar desesperadamente como se assim, todo aquele mal irreal deixasse de existir.

É irracional, eu sei, mas não existe razão numa crise de pânico. O problema dessas crises é que elas não existem sozinhas, estão acompanhadas por alguma outra comorbidade que as potencializa. No meu caso, é o transtorno de ansiedade generalizada – TAG. O TAG é a peça que te impede de lidar com as mudanças sem fazer seu cérebro andar a 220 voltz. Mil coisas rondam sua mente e você se vê pensando em um zilhão de compromissos ao mesmo tempo. Se sua mente fosse um computador de última geração, isso seria uma tarefa fácil, mas, infelizmente, somos humanos, somos carne e, nesse estado de pensamento, uma hora sua mente empaca, os pensamentos começam a ficar repetitivos, tudo ao redor acaba virando informação demais, luz demais, sons demais, toques demais. O mundo vira uma espécie de Twitter onde tudo ocorre num ritmo surreal o qual você é incapaz de acompanhar. Então vem o pânico, e depois do pânico, o cansaço, o maior cansaço que você já viu na vida.

Hoje, minha casa passa por mais uma das intermináveis obras pelas quais ela tem passado nos últimos dez anos. De repente, vi-me rememorando minha casa antiga, os cômodos como eles eram antigamente, antes de todo esse quebra-quebra natural em obras. Pensei no quanto minha vida mudou nesses anos todos, no quanto minha realidade atual se distanciou daquilo que um dia já foi e daquilo que um dia planejei. Sinto-me, de repente, furtado de mim, do meu passado, de minha existência. Tantas coisas mudaram desde então e, na maioria das vezes, não por escolha minha, mas como consequência de escolhas alheias a mim, tal como um efeito colateral. Isso me frustra, me deixa com a sensação de que perdi o controle de tudo, de minha vida, de quem eu sou. Mas, ao mesmo tempo, acende dentro de mim uma fagulha que me faz questionar o que eu posso fazer agora com o que tenho, com essa realidade que me cerca? Quais são meus sonhos? Há muito tempo não penso neles e, chego a dizer que, há muito, não tenho nenhum sonho de vida, eu me entreguei ao ostracismo e isso me fez empacar e voltar ao que disse lá no início, a não viver.

Se a vida é um conjunto de mudanças, eu preciso ser a mudança que eu quero e necessito. Nem todas as mudanças estão sob nosso controle, mas isso não significa que não podemos controlá-las de alguma forma. É preciso, pelo menos, tentar, persistir e não desistir.

Um abraço.

Como eu sobrevivi ao bullying

O bullying pretende nos calar e é por isso que devemos gritar, explodir nossos pulmões e mostrar que nós estamos aqui, nós existimos, nós somos alguém e temos sentimentos também.

Eu tinha entre 6 e 7 anos quando tudo aconteceu. Na época, estava na primeira série do ensino fundamental, hoje chamada de 2º ano do EF. Até onde me lembro, eu era uma criança comum, gostava de estudar, era sociável. Obviamente, eu não tinha vivido muito do mundo para saber que as pessoas podem ser más, que elas podem reagir com hostilidade diante daquilo que lhes é diferente. Do mesmo modo, não havia vivido o suficiente para entender que, nem sempre, as pessoas são más por vontade própria, mas por medo, medo de encarar a realidade.

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Eu, Pedro H., 27 anos, desempregado e desiludido

Sobre aquele sentimento de incompetência que assola multidões.

Epitáfios à Parte. ©2016. Todos os direitos reservados.
Foto por: Pedro Henrique. Todos os direitos reservados.

Nunca parei muito tempo para pensar na minha vida. Aliás, nunca pensei muito na minha vida. Eu venho de uma geração que cresceu com a ideia de que “podemos ser o que quisermos”. Doce engano. A realidade se mostrou mais dura do que o esperado e, no fim, terminei sem muita coisa da qual pudesse me orgulhar. Continue Lendo “Eu, Pedro H., 27 anos, desempregado e desiludido”

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O que ninguém vê quando você está só.

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