Uma reflexão sobre verdade e mentira na fábula do menino e o lobo

“Verdade e mentira são lados de uma mesma moeda; ainda que distintas, ambas dizem respeito à mesma coisa, dizem respeito ao mesmo objeto de estudo a partir do qual se elabora uma informação.”

Existe uma fábula que retrata a história de um menino pastor de ovelhas que, entediado pelo seu trabalho, resolve fazer uma brincadeira para atrair a atenção de seus conterrâneos na aldeia onde vive. Durante o pastoreio de suas ovelhas, ele grita, desesperado: Lobo! Lobo! Seus companheiros, vendo sua aflição, correm para socorrê-lo e salvar as ovelhas do tal lobo. Ao chegarem ao local onde está o menino e constatarem que tudo não se passava de uma história inventada para atrair a atenção dos aldeões, eles, descontentes, deixam o garoto sozinho. O menino repetiu a brincadeira várias vezes ao longo dos dias e, a cada vez, os aldeões iam socorrê-lo, mas davam de cara com a mentira. Certa vez, porém, um lobo de verdade apareceu na região e o menino, agora realmente desesperado, correu a pedir ajuda, gritando a plenos pulmões “Lobo! Lobo!” Os aldeões, porém, já acostumados com as brincadeiras do menino, não deram atenção ao chamado, mesmo que o garoto gritasse com mais desespero do que nunca. O que acontece é que o lobo, faminto, devora, uma a uma, suas ovelhas, destroçando-as sem que ninguém o impedisse. O menino, entristecido, retorna à aldeia e, queixoso, reclama com o homem mais velho e sábio do local. O velho então olha para ele e diz “na boca do mentiroso, o certo é duvidoso”.

Continue Lendo “Uma reflexão sobre verdade e mentira na fábula do menino e o lobo”

Viagem de trem

“O trem é a locomotiva das massas. O mundo passa aqui e, não à toa, o trem sempre está cheio, sempre carregado. Não só as pessoas são muitas, como também as emoções podem ser sufocantes.”

Ando todos os dias, de segunda a sexta, pelo menos algumas horas de trem. Não porquê goste, mas porque a força da necessidade me obriga a optar por este tipo de transporte. Viajar de trem é algo peculiar, são muitos risos e muitas vozes, as paisagens do lado de fora dos vagões mudam num piscar de olhos. No trem, a vida passa num relance e, sem perceber, nos locomovemos para além de um espaço físico, mas metafísico, um espaço cheio de histórias e enredos impossíveis onde todas as vozes tem sua vez e onde todos são o que são. Continue Lendo “Viagem de trem”

Da religião e sua luta contra a natureza humana

Aquela história de que o maior inimigo do homem é ele mesmo se encaixa bem aqui, mas com uma pequena adaptação: o maior inimigo do crente é sua mente.

O ser humano é falho por natureza e isso tanto biologicamente como, mais importante aqui, moralmente. Talvez por consciência de sua natureza errante, o homem sempre tenha procurado alguma coisa que lhe desse uma “essência mais pura”, mesmo que nada disso fizesse sentido num olhar mais profundo. Vive-se querendo justificar os próprios erros quase que numa tentativa inconsciente de nos devolver a inocência de nossa infância. Mas, não é bem assim que as coisas são. Continue Lendo “Da religião e sua luta contra a natureza humana”

Como eu sobrevivi ao bullying

O bullying pretende nos calar e é por isso que devemos gritar, explodir nossos pulmões e mostrar que nós estamos aqui, nós existimos, nós somos alguém e temos sentimentos também.

Eu tinha entre 6 e 7 anos quando tudo aconteceu. Na época, estava na primeira série do ensino fundamental, hoje chamada de 2º ano do EF. Até onde me lembro, eu era uma criança comum, gostava de estudar, era sociável. Obviamente, eu não tinha vivido muito do mundo para saber que as pessoas podem ser más, que elas podem reagir com hostilidade diante daquilo que lhes é diferente. Do mesmo modo, não havia vivido o suficiente para entender que, nem sempre, as pessoas são más por vontade própria, mas por medo, medo de encarar a realidade.

Continue Lendo “Como eu sobrevivi ao bullying”

A superficialidade das relações humanas em tempos de realidade virtual

“A internet nos mascara e, de certo modo, nos esconde. Impede que as pessoas nos conheçam de fato, pois, nesse universo, podemos ser o que quisermos ser.”

Eu cresci em uma época em que computadores eram um sonho distante para pessoas que, como eu, faziam parte de uma família que dependia do salário mínimo. Eu venho de uma era pré-internet, pré-computadores e smartphones. Nos anos 1990, laptops, tablets, smartphones com tela sensível ao toque, tudo isso e muito mais era uma realidade quase utópica, vista somente em filmes de ficção científica. Exclua-se, talvez, os laptops que, de fato, já existiam em 1990, mas custavam os dois rins e um coração. Ou seja, era um artigo de luxo voltado somente aos mais abastados. Continue Lendo “A superficialidade das relações humanas em tempos de realidade virtual”

Você sabe o que são doenças raras?

Doenças raras são aquelas com pouca prevalência na sociedade, mas nem por isso, menos importantes que outras, “mais comuns”.

doenas-raras
A zebra é tida como um símbolo dos pacientes com doença rara. Isso vem de uma piada entre os médicos que diz que, ao ouvir o som de cascos batendo no chão, logo se pensa em cavalos, mas também podem se zebras.

Para quem não sabe, eu tenho uma doença genética rara chamada Síndrome de Ehlers-Danlos. Na verdade, sendo mais específico, eu tenho uma variação da Síndrome de Ehlers-Danlos, chamada Síndrome da Córnea Frágil ou, simplesmente, Síndrome de Ehlers-Danlos 6-B. Resumidamente, essa síndrome é uma doença que afeta a constituição do tecido conectivo, formado essencialmente por colágeno e outras proteínas. Como o colágeno, nos pacientes com a síndrome, é mal formado, isso gera consequências diversas no corpo humano, uma vez que o tecido conectivo abrange a quase totalidade dele. Entre os vários sintomas da síndrome, os mais comuns são articulações muito móveis e fáceis de deslocar, uma pele hiperextensível, fragilidade ocular e vascular, desenvolvimento precoce de cifoescoliose, surdez, entre outros. Isso é um pouco da Síndrome de Ehlers-Danlos, chamada carinhosamente de SED por seus pacientes. Continue Lendo “Você sabe o que são doenças raras?”

Das (minhas) razões de ser contrário às cotas

“É preciso que a sociedade como um todo tome consciência de que a educação é a única saída para o desenvolvimento social (…) A educação é um direito universal, negá-la, é negar o direito a uma vida digna.”

cotas

Antes de prosseguir com o texto, quero deixar alguns avisos aqui aos leitores, a fim de evitar desentendimentos desnecessários.

  1. Este texto reflete um ponto de vista pessoal meu e, portanto, sujeito a diversas falhas de perspectivas. Trago ele à tona porque acredito que todas as opiniões são válidas quando elas levam a um debate sadio e que promove o pleno entendimento entre as pessoas. Viu algum erro aqui? Comente-o, o texto está aberto à discussão;
  2. Meu texto não se pretende dono da verdade, ele é apenas um ponto de vista entre vários e que, por estar publicado de forma aberta a todos, se põe sujeito ao questionamento, desde que de forma educada e bem fundamentada. Se discorda de algo, o campo de comentários está aberto para você;
  3. Tive medo de publicar esse texto por receio da reação de alguns grupos, mas isso é errado. Ninguém deve ter medo de expressar suas ideias. Liberdade de expressão significa não só falar (e escrever) o que se quer, mas ouvir (ou, no caso, ler) o que não se quer ou não se concorda também. Por isso decidi pela publicação do texto, fazendo uso de minha liberdade de expressão assim como dando liberdade a quem quer que seja de discordar.
  4. Por fim, desejo uma boa leitura e agradeço pelo interesse em ler isso aqui.

Continue Lendo “Das (minhas) razões de ser contrário às cotas”

Electronic Maze

Venha se perder nesse labirinto e encontre a arte em você

Epitáfios a Parte

O que ninguém vê quando você está só.

VISCERAL BRANDS

DEEPMEANING BRANDBUILDING