O autor reflete sobre o conceito de fé, definindo-a como uma convicção intransigente num poder superior. A postagem discute os aspectos positivos da fé; proporcionar conforto, fomentar a comunidade e fomentar a perseverança, mas também aborda os seus aspectos negativos; intolerância e seu uso para justificar danos. O autor, antes fervoroso na fé, revela um percurso de ceticismo, desilusão e questionamentos. No entanto, permanece o resquício de curiosidade agnóstica, principalmente quando confrontado com fenômenos inexplicáveis na vida do autor.

Hoje, eu tive um sonho. Nele, por algum motivo que me é desconhecido, eu era responsável por proteger algo de valor imensurável, eu lutava e combatia meus inimigos, até mesmo fui lançado ao ar com um deles em meus braços para derrotá-lo. O cenário ao meu redor era de cor púrpura e, no centro de tudo, havia uma torre muito grande a qual sustentava todo o local onde meu sonho se passava. Ao fundo, uma música era entoada com tanta firmeza e força de vontade pelas pessoas e entidades que lutavam ao meu lado. Era uma batalha difícil, a última batalha e eu era, por assim dizer, o estandarte das forças que lutavam para proteger aquele lugar e tudo o que ele representava. Se tivéssemos que morrer, morreríamos, pois nossa causa era a razão última de nossa existência e nada mais teria valor se ela fosse defenestrada. Infelizmente, não pude ver o final do sonho, acordei antes disso, mas a música entoada ficou na minha memória marcando meu dia e me fazendo pensar na palavra que dá título a este texto: fé.

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Mini Conto | A Queda

Se anjos não possuem livre-arbítrio, o que explica a queda do Primeiro Anjo?
Resolvi imaginar como teria sido e o resultado é este texto.

Não havia nuvens no céu quando ele pensou o que pensou. Até então, sua vida seguia como seguia todos os dias até ali; reverência após reverência ao Santo dos Santos e assim por toda a eternidade, era o que ele pensava. Mas, naquele dia sem data, sem hora e sem local marcado, um pensamento pairou em sua mente, até então, incólume de pensamentos estranhos: por que? Perguntara-se ele. Não havia uma resposta, pelo menos não àquela altura. Mas, dia após dia, essa pergunta martelava-lhe a mente cada vez mais e cada vez mais ele se sentia intrigado sobre o porquê de fazer o que fazia todos os dias ad infinitum.

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Deus: uma incógnita

“É difícil encontrar deus quando o mal prevalece sobre todas as coisas. (…) Mas, eu queria, do fundo do meu coração, que deus estivesse aqui, que ele colocasse sua mão sobre meu ombro e me consolasse nem que fosse por alguns segundos.”

Eu cresci em família cristã. Por muitos anos, a vida na igreja foi uma parte constante e alegre em minha história e isso não é e nunca foi demérito algum. A vida na igreja me trouxe muitas experiências felizes e satisfatórias, amigos que tenho como irmãos e, mais do que isso, serviu de base para minha concepção de vida e filosofia. Eu não seria o mesmo sem essa parte importante em minha história.

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Quando me tiraram do armário

Na verdade, naquele momento, tudo o que eu queria era não ser gay, ser “normal”, o menino heterozinho que vai trazer uma norinha pra mamãe, ter um filho, um casamento na igreja e todo aquele bla-bla-bla cristão.

Em novembro de 2016, escrevi um texto aqui no Epitáfios a Parte refletindo sobre a realidade que muitos gays vivenciam ao passar pela experiência de sair do armário. Para quem não sabe, a expressão “sair do armário” é muito popular na comunidade lgbt+ e significa, em poucos termos, o ato de se assumir lgbt+ numa sociedade essencialmente heteronormativa e o choque geralmente resultante desse confronto. No texto em questão, eu fazia um convite à comunidade gay a se por no lugar de muitos que se assumem lgbt+ e a oferecer suporte a essas pessoas para que elas não passem pelos vários cenários negativos que podem surgir diante dessa revelação. Em parte, esse texto foi inspirado em minha própria história de vida, em minha experiência traumática e não voluntária de me assumir gay. Como nunca falei sobre isso antes, resolvi aceitar a sugestão de um grande amigo e fazer um pequeno “exposed” desse momento peculiar de minha vida.

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A volatilidade do pensamento descartiano

(…) tudo é volátil e relativo a partir do momento em que não existe, na verdade, consenso algum para se afirmar que algo é algo. (…) Eu existo, sim. Mas, e depois?

Ao pensar na celébre frase de René Descartes, “penso, logo existo”, veio-me à mente o seguinte questionamento sobre nossa existência: se penso, logo existo, então o que existe é o pensamento e não o próprio ser pensante, aquele que pensa o pensamento. O pensamento estaria, portanto, num nível de existência em que nós, criaturas pensantes, não estaríamos. Nós habitaríamos o reino do imaginável, do “pensável”.

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Da religião e sua luta contra a natureza humana

Aquela história de que o maior inimigo do homem é ele mesmo se encaixa bem aqui, mas com uma pequena adaptação: o maior inimigo do crente é sua mente.

O ser humano é falho por natureza e isso tanto biologicamente como, mais importante aqui, moralmente. Talvez por consciência de sua natureza errante, o homem sempre tenha procurado alguma coisa que lhe desse uma “essência mais pura”, mesmo que nada disso fizesse sentido num olhar mais profundo. Vive-se querendo justificar os próprios erros quase que numa tentativa inconsciente de nos devolver a inocência de nossa infância. Mas, não é bem assim que as coisas são. Continue Lendo “Da religião e sua luta contra a natureza humana”

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Epitáfios a Parte

O que ninguém vê quando você está só.

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