Pluribus | Nós somos todos e você não existe

Quando a necessidade de lutar pelo próprio eu entra em choque com a harmonia da coletividade, o que se fazer? Seguir adiante sem olhar para trás ou abandonar sua própria identidade em prol de algo maior do que si mesmo?

Quando comecei a assistir a série Pluribus, da Apple TV, fiquei intrigado com o que ela prometia oferecer a mim enquanto telespectador. Seria puramente um entretenimento, alguma distração dessa realidade maçante que temos vivido dia após dia ou alguma espécie de reflexão profunda sobre a natureza virtual de nossos dias diante de uma realidade que nos torna cada vez mais incapazes de uma introspecção para dentro de si? Terminei o último episódio, lançado ontem (24/12/2025), concluindo que a série tinha me dado muito mais do que eu esperava inicialmente e que isso, pelo menos para mim, valeria um texto no meu blog que é – não ironicamente – tão isolado quanto Carol Sturka se tornou ao final.

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Quem é você, o que você é?

“O que talvez seja de maior valor, no entanto, é a consciência que temos de nós mesmos, o nosso senso de individualidade e até de identidade porque, apesar de todas as visões dos outros sobre nós, temos também nossa própria visão sobre quem somos e ela, quase sempre, é determinante para a forma como você se coloca no mundo e em relação às outras pessoas.”

Assisti a série Ruptura (Severance, no original) na Apple TV+ e foi uma experiência um tanto reveladora. A série faz uma crítica direta, mas indigesta ao modelo de produção vigente nas grandes empresas do mundo inteiro e ainda, questiona essa ideologia positivista de se separar a pessoa que você é no trabalho daquela que você é fora dele. Não é um movimento muito fácil e por isso, na série, os funcionários da empresa que protagoniza o programa passam por um procedimento chamado ruptura em que eles segregam suas memórias em duas que são incomunicáveis entre si, mas que se alternam de acordo com o lugar onde as personagens se encontram.

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Expectativa & Realidade

“Para as pessoas de minha geração, a vida sempre foi uma promessa de que seria bem sucedida, de que teríamos bons empregos, uma família estável, carro na garagem, faculdade e todo o mais que é considerado símbolo de uma vida bem sucedida. Entretanto, a verdade é que, para a maioria de nós, essa é uma realidade total ou parcialmente distante de nós.”

Estou ouvindo no computador a música Release, da banda Pearl Jam. Confesso que sou um admirador dessa banda desde muitos anos por me imergir ao som de suas canções e alcançar um estado de melancolia e paz (é possível?) nessas ocasiões. Antes de começar a ouvir o álbum Ten deles, assisti alguns vídeos de apresentações da banda e sempre fico impactado com a potência que o vocalista coloca na interpretação de suas músicas, não é como se ele apenas performasse uma apresentação qualquer para angariar audiência, mas, longe disso, ele se entrega à suas apresentações de corpo e alma porque isso é, para ele, o mínimo que ele pode oferecer ao seu trabalho. E isso impressiona porque, olhando o histórico da carreira do Pearl Jam, é notável que eles tiveram um boom meteórico e logo se tornaram uma das bandas mais relevantes no cenário do grunge, estilo musical que é meu favorito até hoje. Mas, mesmo com esse boom, eles não perderam a essência do que eles são, não se deixaram levar pelo que era tido como comercial e isso é algo que me agrada muito pois ajudou a manter a identidade deles.

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Escoliótico | Uma reflexão seis anos depois

Como encarar a vida carregando em seu corpo um problema de saúde que te limita não só fisicamente, mas também, emocionalmente e socialmente?

Há alguns dias venho pensando no que escrever aqui no blog. Já faz três meses e quatro dias que não escrevo aqui, o que não é novidade, mas também demonstra um certo desinsteresse em escrever algo. Todavia, a verdade é que há muito eu tenho passado por um bloqueio criativo que tem me afetado completamente e isso tem sido um transtorno constante porque, afinal, eu gosto de escrever, gosto do meu blog e gosto de ser lido. Enfrentar um bloqueio criativo é como enfrentar sua própria mente que, neste caso, instalou uma porta em sua entrada e a trancou impedindo o acesso de qualquer um a ela, inclusive você, o dono dela.

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Mini Conto | A Queda

Se anjos não possuem livre-arbítrio, o que explica a queda do Primeiro Anjo?
Resolvi imaginar como teria sido e o resultado é este texto.

Não havia nuvens no céu quando ele pensou o que pensou. Até então, sua vida seguia como seguia todos os dias até ali; reverência após reverência ao Santo dos Santos e assim por toda a eternidade, era o que ele pensava. Mas, naquele dia sem data, sem hora e sem local marcado, um pensamento pairou em sua mente, até então, incólume de pensamentos estranhos: por que? Perguntara-se ele. Não havia uma resposta, pelo menos não àquela altura. Mas, dia após dia, essa pergunta martelava-lhe a mente cada vez mais e cada vez mais ele se sentia intrigado sobre o porquê de fazer o que fazia todos os dias ad infinitum.

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Poesia | Elementos

Um poema alegórico sobre os elementos da natureza e sua relação com a minha vida.

Hoje o sol brilha com força, iluminando todas as coisas do mundo.

Mas não sinto seu calor e sua luz, para mim, parece não iluminar todos os cantos.

Os pássaros não cantam ao meu redor

E ao redor de mim tudo parece pálido e sem vida.

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A morte como uma certeza para a vida

“É a vida e a morte andando, lado a lado, separadas por apenas um sopro, um sopro que muda tudo tão irremediavelmente que nada continua do mesmo jeito após isso.”

Quando nascemos, choramos. O choro é o nosso primeiro sinal de vida pós-uterina, é através dele que dizemos ao mundo que aqui chegamos e que, enquanto houver fôlego em nós, viveremos. Para alguns, a vida pode durar décadas. Para outros, sequer alguns minutos. Mas, o fato é que, em todos esses casos, vida e morte se unem por um laço único: o sopro. Ao nascer, berramos a plenos pulmões. Ao morrer, esavaziamos os mesmos pulmões com nosso último suspiro. O ar que circula na chegada ou na partida é o ar que marca o início e o fim da vida e é através dele que, em todo o tempo que aqui vivemos, marcamos nossa história e a de outros com a influência de nossa presença ou ausência. É a vida e a morte andando, lado a lado, separadas por apenas um sopro, um sopro que muda tudo tão irremediavelmente que nada continua do mesmo jeito após isso. Durante o choro de nosso nascimento, mudamos a vida daqueles a quem “pertencemos”, acrescentando não só uma boca a mais à mesa, mas também uma história a mais a ser vivida e compartilhada com os outros. Durante nosso último suspiro, damos adeus ao mundo e a tudo o que poderíamos fazer dali em diante, mas que não faremos mais porque, naquele momento, a vida decidiu que nossa história acabava ali e que nosso protagonismo, finalmente, chegava ao fim. É poético porque é o sopro que move tudo. E se olharmos além, veremos que ele move não somente nossas vidas individuais, mas o mundo como um todo; a areia soprada pelos ventos incessantes sobre o deserto do Saara, lá do outro lado do Oceano, chegam até aqui, no Brasil, e semeiam nossa Floresta Amazônica, dando vida e nutrientes a ela que, de outra forma, não conseguiria obter. E não para aí! O vento que sopra sobre a Floresta Amazônica é o que leva as nuvens com milhões de litros de água que se formam sobre ela até outras regiões do país criando um verdadeiro rio de nuvens que se move sobre nossas cabeças irrigando terras secas que, sem isso, seriam incapazes de sustentar a vida. O sopro da vida; sua presença move o mundo, sua ausência significa que tudo acabou. Ainda respiramos, mas já parou para pensar quantos, no dia de hoje, encerraram suas histórias e, talvez, você ainda nem saiba disso? Ou então, fazendo o caminho oposto, quantos novos bebês disseram olá a este mundo e estão fazendo a alegria de suas novas famílias? “A vida é um sopro”, dirá alguém. E não é mesmo? Num momento, você está aqui, no seguinte, sua existência não passa de lembranças e é sobre elas que deveríamos nos debruçar. Sobre nossas lembranças porque, afinal de contas, não é porque a vida é um sopro que devemos levar tudo de forma hedonista como se o fim fosse a única razão de existir. Há muito que se levar em consideração no espaço entre o choro do nascimento e o último suspiro porque o que se faz entre esses dois momentos diz muito não só de quem nós somos, mas de como vivemos. “O tempo não para” e é justamente por isso que um pouco de responsabilidade, consciência e prudência se fazem necessárias. Nossas vidas podem semear a floresta de outras pessoas e o mesmo pode acontecer na via contrária. Holisticamente falando, o todo está em um e o um está no todo e isso não é mera frase de efeito que uso aqui para encantar o jovem cirandeiro em busca de alguma reflexão profunda sobre algo. Vivemos num aquário, literal e figurativamente falando. Enquanto não formos capazes de atravessar as barreiras desse aquário, nossas vidas continuarão ligadas umas às outras infinitamente. E, para ser sincero, suspeito que mesmo se as barreiras forem desfeitas, essa ligação ainda permanecerá e isso diz muito sobre nosso futuro porque, afinal de contas, não vivemos todos para torná-lo o mais longo possível?

Deus: uma incógnita

“É difícil encontrar deus quando o mal prevalece sobre todas as coisas. (…) Mas, eu queria, do fundo do meu coração, que deus estivesse aqui, que ele colocasse sua mão sobre meu ombro e me consolasse nem que fosse por alguns segundos.”

Eu cresci em família cristã. Por muitos anos, a vida na igreja foi uma parte constante e alegre em minha história e isso não é e nunca foi demérito algum. A vida na igreja me trouxe muitas experiências felizes e satisfatórias, amigos que tenho como irmãos e, mais do que isso, serviu de base para minha concepção de vida e filosofia. Eu não seria o mesmo sem essa parte importante em minha história.

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Sobre a natureza da língua e sua relação com a realidade

Na metáfora do ovo e da galinha, a língua é, ao mesmo tempo, o ovo e a galinha; ela é resultado das experiências que vivemos ao mesmo tempo em que é, ela própria, a experiência.

O que veio primeiro? A língua ou a realidade? A história da humanidade passou a ser contada e conhecida com os primeiros registros litográficos dos “homens da caverna” há milhares de anos. Desde então, a linguagem evoluiu, se desenvolveu e, dela, nasceram as línguas modernas como as conhecemos hoje. Nesse meio tempo, a história das civilizações passou por inúmeras transformações e essas transformações ficaram expressas na língua de cada povo onde elas ocorreram. A língua sempre esteve lá para dar forma e cor a essas mudanças, para servir de registro histórico da passagem do homem aqui neste plano, para ser também a força motriz dessas mudanças, sendo a ferramenta para fechar acordos ao mesmo tempo em que servia para nutrir dissidências. Continue Lendo “Sobre a natureza da língua e sua relação com a realidade”

Prosopagnosia

De quem é este rosto que me olha e me encara, que tenta entender quem diabos é esse que o observa?

But I’m a creep (Mas eu sou insignificante)
I’m a weirdo (Eu sou um esquisitão)
What the hell am I doing here? (Que diabos estou fazendo aqui)
I don’t belong here (Eu não pertenço a este lugar)
I don’t belong here (Eu não pertenço a este lugar)


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Electronic Maze

Venha se perder nesse labirinto e encontre a arte em você

Epitáfios a Parte

O que ninguém vê quando você está só.

VISCERAL BRANDS

DEEPMEANING BRANDBUILDING