Expectativa & Realidade

“Para as pessoas de minha geração, a vida sempre foi uma promessa de que seria bem sucedida, de que teríamos bons empregos, uma família estável, carro na garagem, faculdade e todo o mais que é considerado símbolo de uma vida bem sucedida. Entretanto, a verdade é que, para a maioria de nós, essa é uma realidade total ou parcialmente distante de nós.”

Estou ouvindo no computador a música Release, da banda Pearl Jam. Confesso que sou um admirador dessa banda desde muitos anos por me imergir ao som de suas canções e alcançar um estado de melancolia e paz (é possível?) nessas ocasiões. Antes de começar a ouvir o álbum Ten deles, assisti alguns vídeos de apresentações da banda e sempre fico impactado com a potência que o vocalista coloca na interpretação de suas músicas, não é como se ele apenas performasse uma apresentação qualquer para angariar audiência, mas, longe disso, ele se entrega à suas apresentações de corpo e alma porque isso é, para ele, o mínimo que ele pode oferecer ao seu trabalho. E isso impressiona porque, olhando o histórico da carreira do Pearl Jam, é notável que eles tiveram um boom meteórico e logo se tornaram uma das bandas mais relevantes no cenário do grunge, estilo musical que é meu favorito até hoje. Mas, mesmo com esse boom, eles não perderam a essência do que eles são, não se deixaram levar pelo que era tido como comercial e isso é algo que me agrada muito pois ajudou a manter a identidade deles.

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Uma reflexão sobre verdade e mentira na fábula do menino e o lobo

“Verdade e mentira são lados de uma mesma moeda; ainda que distintas, ambas dizem respeito à mesma coisa, dizem respeito ao mesmo objeto de estudo a partir do qual se elabora uma informação.”

Existe uma fábula que retrata a história de um menino pastor de ovelhas que, entediado pelo seu trabalho, resolve fazer uma brincadeira para atrair a atenção de seus conterrâneos na aldeia onde vive. Durante o pastoreio de suas ovelhas, ele grita, desesperado: Lobo! Lobo! Seus companheiros, vendo sua aflição, correm para socorrê-lo e salvar as ovelhas do tal lobo. Ao chegarem ao local onde está o menino e constatarem que tudo não se passava de uma história inventada para atrair a atenção dos aldeões, eles, descontentes, deixam o garoto sozinho. O menino repetiu a brincadeira várias vezes ao longo dos dias e, a cada vez, os aldeões iam socorrê-lo, mas davam de cara com a mentira. Certa vez, porém, um lobo de verdade apareceu na região e o menino, agora realmente desesperado, correu a pedir ajuda, gritando a plenos pulmões “Lobo! Lobo!” Os aldeões, porém, já acostumados com as brincadeiras do menino, não deram atenção ao chamado, mesmo que o garoto gritasse com mais desespero do que nunca. O que acontece é que o lobo, faminto, devora, uma a uma, suas ovelhas, destroçando-as sem que ninguém o impedisse. O menino, entristecido, retorna à aldeia e, queixoso, reclama com o homem mais velho e sábio do local. O velho então olha para ele e diz “na boca do mentiroso, o certo é duvidoso”.

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Sobre a natureza da língua e sua relação com a realidade

Na metáfora do ovo e da galinha, a língua é, ao mesmo tempo, o ovo e a galinha; ela é resultado das experiências que vivemos ao mesmo tempo em que é, ela própria, a experiência.

O que veio primeiro? A língua ou a realidade? A história da humanidade passou a ser contada e conhecida com os primeiros registros litográficos dos “homens da caverna” há milhares de anos. Desde então, a linguagem evoluiu, se desenvolveu e, dela, nasceram as línguas modernas como as conhecemos hoje. Nesse meio tempo, a história das civilizações passou por inúmeras transformações e essas transformações ficaram expressas na língua de cada povo onde elas ocorreram. A língua sempre esteve lá para dar forma e cor a essas mudanças, para servir de registro histórico da passagem do homem aqui neste plano, para ser também a força motriz dessas mudanças, sendo a ferramenta para fechar acordos ao mesmo tempo em que servia para nutrir dissidências. Continue Lendo “Sobre a natureza da língua e sua relação com a realidade”

Tudo novo de novo

“A mudança é uma constante da vida, faz parte de nossa evolução, das transformações que nos tornam quem somos. Mudar é resultado de viver e, por isso, não mudar é simplesmente não viver.”

A vida muda, esse é um fato tão concreto como o fato de que todos nós morreremos em algum momento. A mudança é uma constante da vida, faz parte de nossa evolução, das transformações que nos tornam quem somos. Mudar é resultado de viver e, por isso, não mudar é simplesmente não viver.

Mas, mudar é difícil, muito difícil. Exige paciência e um esforço ímpar para lidar com os imprevistos dos quais a mudança vem acompanhada. Lidar com o novo, com uma realidade totalmente diversa daquela com a qual estávamos acostumados, sair da zona de conforto sem a certeza de que voltará a ela, tudo isso pode mexer com o nosso emocional e nos desestabilizar a tal ponto que a simples menção à mudança gera em nós um ataque de pânico.

Em fevereiro deste ano, tive uma sequência de crises de pânico que me levaram a tirar licença médica do meu trabalho por três longos meses. Foi um momento difícil e, ainda hoje, carrego o peso de toda a turbulência pela qual passei nessa ocasião. Mas, a questão era que, naquele momento, eu passava por um conjunto de situações que tinha em comum o fato de que as coisas iriam mudar para mim. Eram mudanças grandes na saúde, em minha vida profissional, pessoal e acadêmica. Até então, sempre me considerei uma pessoa de personalidade firme e forte diante dos imprevistos da vida. Todavia, naquele momento, a única visão que tive de mim era a de que, no fundo, bem lá no fundo, eu ainda era uma criança frágil e indefesa tentando lidar com o mundo que se abria diante de mim.

A mudança nem sempre vem por vias fáceis e, quase sempre, ocorre sem o nosso controle. Durante minhas crises de pânico, o único pensamento que tinha era que eu precisava me esconder, me proteger do que quer que fosse que estivesse me afligindo. Não que houvesse um mal real de fato, mas durante as crises, sua mente se prende a um pensamento constante de que algo ruim está acontecendo, você entra num loop de desespero e opressão, o coração dispara, um suor frio corre pelas costas, a adrenalina pulsa em seu sangue e você só quer correr, fugir e gritar desesperadamente como se assim, todo aquele mal irreal deixasse de existir.

É irracional, eu sei, mas não existe razão numa crise de pânico. O problema dessas crises é que elas não existem sozinhas, estão acompanhadas por alguma outra comorbidade que as potencializa. No meu caso, é o transtorno de ansiedade generalizada – TAG. O TAG é a peça que te impede de lidar com as mudanças sem fazer seu cérebro andar a 220 voltz. Mil coisas rondam sua mente e você se vê pensando em um zilhão de compromissos ao mesmo tempo. Se sua mente fosse um computador de última geração, isso seria uma tarefa fácil, mas, infelizmente, somos humanos, somos carne e, nesse estado de pensamento, uma hora sua mente empaca, os pensamentos começam a ficar repetitivos, tudo ao redor acaba virando informação demais, luz demais, sons demais, toques demais. O mundo vira uma espécie de Twitter onde tudo ocorre num ritmo surreal o qual você é incapaz de acompanhar. Então vem o pânico, e depois do pânico, o cansaço, o maior cansaço que você já viu na vida.

Hoje, minha casa passa por mais uma das intermináveis obras pelas quais ela tem passado nos últimos dez anos. De repente, vi-me rememorando minha casa antiga, os cômodos como eles eram antigamente, antes de todo esse quebra-quebra natural em obras. Pensei no quanto minha vida mudou nesses anos todos, no quanto minha realidade atual se distanciou daquilo que um dia já foi e daquilo que um dia planejei. Sinto-me, de repente, furtado de mim, do meu passado, de minha existência. Tantas coisas mudaram desde então e, na maioria das vezes, não por escolha minha, mas como consequência de escolhas alheias a mim, tal como um efeito colateral. Isso me frustra, me deixa com a sensação de que perdi o controle de tudo, de minha vida, de quem eu sou. Mas, ao mesmo tempo, acende dentro de mim uma fagulha que me faz questionar o que eu posso fazer agora com o que tenho, com essa realidade que me cerca? Quais são meus sonhos? Há muito tempo não penso neles e, chego a dizer que, há muito, não tenho nenhum sonho de vida, eu me entreguei ao ostracismo e isso me fez empacar e voltar ao que disse lá no início, a não viver.

Se a vida é um conjunto de mudanças, eu preciso ser a mudança que eu quero e necessito. Nem todas as mudanças estão sob nosso controle, mas isso não significa que não podemos controlá-las de alguma forma. É preciso, pelo menos, tentar, persistir e não desistir.

Um abraço.

A volatilidade do pensamento descartiano

(…) tudo é volátil e relativo a partir do momento em que não existe, na verdade, consenso algum para se afirmar que algo é algo. (…) Eu existo, sim. Mas, e depois?

Ao pensar na celébre frase de René Descartes, “penso, logo existo”, veio-me à mente o seguinte questionamento sobre nossa existência: se penso, logo existo, então o que existe é o pensamento e não o próprio ser pensante, aquele que pensa o pensamento. O pensamento estaria, portanto, num nível de existência em que nós, criaturas pensantes, não estaríamos. Nós habitaríamos o reino do imaginável, do “pensável”.

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Hoje eu vi o céu

“A vida não muda quando você quer e também não muda quando você não quer.”

Daqui alguns dias, fará um ano que recriei o Epitáfios à Parte. Minha ideia em repaginar o EaP se sustentava na premissa de que eu mesmo precisava de uma repaginada, coisa que nunca aconteceu. A questão é que quase um ano se passou e as coisas continuam do mesmo jeito e isso é estranho. Estranho, porque se fala muito da mutabilidade da vida como se isso fosse uma regra inquestionável, mas não é. A vida não muda quando você quer e também não muda quando você não quer. Na verdade, é até difícil dizer ou prever quando haverá alguma mudança significativa na vida porque isso me parece bem aleatório. Continue Lendo “Hoje eu vi o céu”

Electronic Maze

Venha se perder nesse labirinto e encontre a arte em você

Epitáfios a Parte

O que ninguém vê quando você está só.

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