Julho · 2026

Epitáfios à Parte

O que ninguém vê quando você está só

· 25 jul 2026 · 2 min de leitura

Poesia | Estrangeiro

De onde vem o estrangeiro que habita dentro de mim?

Desde nossa concepção, somos estrangeiros no mundo e, digo mais, estrangeiros na vida.

Não pertencemos a esta vida mais do que uma rocha que aqui existe há milhares de anos.

Nossa vida é passageira e, sendo assim, a única verdade sobre tudo é que somos estrangeiros na realidade.

O absurdo que nos concebe pelo coito nos torna estranhos e alheios a todo o resto que nos circunda.

Somos poeira, meros fantasmas de um universo que já deixou de existir.

Como todo estrangeiro, passamos pela vida como passam todos os passageiros.

Tudo é passagem e, ao mesmo tempo, tudo é momento.

Existimos no tempo uma fração de todo o tempo que o tempo tem.

Fugaz, inconstante, imprevisível, mero instante que precede todo o silêncio que dá voz ao vazio da vida.

Cada instante, um universo. Cada universo, uma passagem.

Vivemos pelas lembranças porque elas saciam aquela necessidade inerente a nós de querer plantar nossas raízes em um porto seguro qualquer.

Porque, verdade seja dita, custamos a admitir que, desse mundo, nada somos e nada seremos exceto passageiros dessa vida.

Nascemos, crescemos, vivemos e morremos como todos os outros que vieram antes de nós e como todos os outros que virão depois.

Não há onde plantar raízes porque até mesmo a própria realidade não é capaz de sustentar sua própria existência se não pelo pensamento acumulado de incontáveis mentes.

O que era e o que será são apenas páginas de um livro lido por sabe-se lá quem.

As páginas se acabam mas outros livros surgem para serem lidos.

Contudo, para nós, o fim é o fim no virar de uma página.

O que somos nós, senão, meros fragmentos de tempo?

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